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No Chiqueiro: Fábio Finelli

sábado, 20 dezembro, 2008

FinelliDando sequência à nossas entrevistas especiais, quem adentra à porteira do Chiqueiro desta vez é Fábio Finelli - assessor de imprensa da S.E. Palmeiras

O Chiqueiro - Primeiramente, se apresente por favor.
Sou Fábio Finelli, tenho 27 anos, e estou como assessor de imprensa do Palmeiras desde o início de 2007. Trabalhei por 8 anos na TV Globo, sendo 6 no departamento de Jornalismo, e nesse período também fiquei 3 anos como editor-chefe e setorista do site ArenaFC.

Na sua opinião, quais seriam os 3 maiores jogadores/ídolos da história do Palmeiras?
Pela grandiosidade do Palmeiras, é muito difícil apontar os 3 maiores. A escolha por um ídolo depende muito da geração em que cada um de nós viveu. Mas, do que vi jogar, considero Marcos, Evair e César Sampaio.

Qual jogo do Palmeiras que você considera inesquecível?
São vários, mas o que mais me marcou foi na Libertadores de 2000, no pênalti que o Marcos defendeu do Marcelinho, e na Copa do Brasil de 1998, naquele gol espírita do Oséas.

Existe algum jogador que nunca vestiu a camisa do Palmeiras e que você gostaria de ter visto ou ver no Palmeiras? (Pelo menos para imaginar como seria)
Quando eu tinha acho que 13 anos, um jornal de SP estampou na capa que o Palmeiras iria trazer o Stoichkov, meio-campista da seleção da Bulgária. Ele era um craque na época. Era fã dele e gostaria muito que ele tivesse jogado aqui.

Com a imprensa sempre em cima dos jogadores, do clube, fazendo especulações e criando noticias para esquentar o clima nos bastidores dos campeonatos, surge a questão, na sua opinião, você acha que a imprensa - de um modo geral - mais ajuda ou atrapalha a relação clube/jogadores/torcida?
A imprensa ajuda e atrapalha. Mas isso é em qualquer segmento, e não apenas no futebol. É na economia, da política, na vida social…Tudo o que acontece na imprensa, faz parte do dia-a-dia dela. É assim que funciona. O que tem de saber diferenciar são os bons dos maus jornalistas. Alguns fazem reportagens que atrapalham de propósito, na má intenção. Outros, fazem porque a linha editorial do jornal pede isso. Isso é algo que, infelizmente, não vai mudar. E nem sempre a assessoria de imprensa é capaz de mudar algo que faz parte da cultura jornalística do país.

Você acha que às vezes as perguntas dos jornalistas aos jogadores são feitas exclusivamente para se criar polêmicas ou incitar declarações controversas?
 Algumas vezes, sim. Muitos meios de comunicação deixaram de lado o lado jornalístico para se transformarem numa indústria de factóides. Estão atrás apenas de polêmica para alcançarem audiência. Muitas vezes, as perguntas são direcionadas para que as respostas sejam dadas do jeito que os repórteres querem. Eles podem conduzir uma entrevista de acordo com que a pauta deles pede. Cabe ao entrevistado ter o discernimento de avaliar e também responder as perguntas do jeito que ele achar melhor, até mesmo omitindo aquele que ele considera o certo.

Muitas vezes as perguntas são um tanto quanto repetitivas, que acabam levando às mesmas respostas de sempre, você tem alguma explicação própria para isso?
Isso depende muito do modo como a entrevista é feita. Quando ela é feita envolvendo os repórteres de todos os segmentos juntos, são menos repetidas. Quando é feita separadamente, através de TV, depois rádio e depois mídia impressa, se repetem pelas circunstâncias.

De onde veio o desejo de ser jornalista? E principalmente, como  se tornou Palmeirense?
Desde quando eu tinha 8 anos, sempre gostava de escrever. Aos 11, já era palmeirense, acho que pela influência da família, claro. Aos 12, passei a escrever uma espécie de diário do Palmeiras. Todo dia escrevia alguma coisa baseado nos noticiários da TV, de jornais e da revista Placar, que sempre fui fã. Fiz isso até 1999. Escrevia de tudo, e isso me ajudou bastante no aspecto de aprender a escrever. Quando cheguei na faculdade Jornalismo, tinha facilidade de interpretar textos, de construir redações e de fazer reportagens. Uma coisa ajudou a outra.

Você gosta de charges?  Você a vê como um bom modo de criticar ou não?
Acho que as charges são a forma mais bem humorada de transmitir ao leitor alguma mensagem. Seja ela sarcástica ou não, vai fazer com que o leitor caia na gargalhada, de uma forma sutil e descontraída. É um caminho interessante, que o jornalismo de todas as áreas deve seguir sempre.

Quais foram as mudanças que teve sua chegada ao Palmeiras?
Felizmente, a imprensa de uma maneira geral considera a assessoria de imprensa do Palmeiras como uma das mais eficazes neste momento dentre todas do país. Isso se deve a nossa transparência, honestidade e clareza na hora de transmitir alguma informação e de facilitar o contato entre eles e os atletas. Mudamos muita coisa, pois acrescentamos o release aos jornalistas, informações históricas que eles não possuiam, press kit no dia dos jogos, melhora nas condições de trabalho, tanto na Academia quanto no estádio Palestra Itália, e por ai vai.

O que falta, num modo geral, mudar no futebol no aspecto “imprensa”?
Acho que a imprensa precisa ser mais participativa e passar a entender o futebol de uma outra maneira, sem enxergar somente o próprio umbigo. Confesso que isso é difícil, pois já estive do outro lado e sei como funciona. Mas acho que alguns jornalistas que cobrem os clubes precisam ser mais preparados e informados para fazer tal trabalho.

Como você define sua profissão?
É uma profissão que exige conhecimento e extrema dedicação. É uma área diferente de qualquer outra no jornalismo. Bem diferente das redações ou das outras assessorias. É uma profissão jornalística, mas que envolve o esporte mais popular do mundo, o futebol. Isso mexe com a emoção e paixão das partes envolvidas. E muito do que se faz independe do jornalismo, mas sim do que acontece dentro de um clube.

Quanto ao tempo, não existe horário. O celular toca das 7h da manhã às 11 da noite. Às vezes de madrugada. É segunda a segunda. Mas é prazeroso para quem sempre sonhou com isso.

Você acha que talvez um Jornalista não possa exercer essa profissão, já que em muitos paises somente Relações Públicas são assessores?

Com certeza nesses países o conceito de assessoria não é o mesmo praticado no Brasil. Nos moldes atuais aqui no Brasil não se faz assessoria sem um jornalista. Em outros países quem trata dos dentes é o médico. Mas  no Brasil, EUA e Índia são os dentistas, cujo curso de odonto é completamente desvinculado da medicina. E justamente esses três países são considerados como os melhores do mundo na área.

Você vê a publicidade como um adversário da assessoria?

Não. Vejo como aliado. Talvez se o profissional de Relações Públicas tivesse essa visão não haveria por que essa disputa.

Muitas pessoas confundem a assessoria com a publicidade, dizendo que assessores são publicitarios, já que de alguma maneira eles “vendem” a empresa, apesar de publicitarios tratarem totalmente de espaços pagos nas mídias, e os assessores querem conquistar cobertura editorial nestas mesmas mídias, porém com um apelo noticioso e nao comercial certo, qual sua opinião nessa questão?

Claro que é um absurdo essa colocação. O assessor que age como um publicitário errou de profissão. E acho que aqui é o ponto e mostra porque o assessor não pode ser um Relações Públicas.

Por exemplo: no caso de uma grave crise por que passa uma empresa, como a queda de um avião,  digamos, para tratar com os jornalistas o assunto, saber o que dizer, escollher o profissional da empresa apto para isso, mostrar por meio de reportagens de produção imediata o que a empresa faz para minorar o trauma de quem sofreu com o acidente como vítima ou parente, produzir um hot site com entrevistas com os profisisonais da empresa, prepara o midia training, tudo isso, será que um profissionald e Relações Públicas estaria apto para coordenar? Não creio. Daí os jornalistas terem conquistado esse mercado. Mas há espaço também para o profissional de Relações Públicas, mas como parceiro e não mais como cabeça da organização.

Você já teve um site, o Arena FC, sabe bem como é difícil a vida de quem se aventura internet a fora, qual sua dica para esses que começam? E mande um recado a toda mídia palestrina que nos acompanha.
O Arena FC foi uma experiência fantástica, pois sem dinheiro e publicidade, alcançamos num determinado ano a marca de 400 mil page views diário. Lá, cada um de nós fazia de tudo um pouco, e são nas adversidades que você acaba aprendendo. Por outro lado, nós do ArenaFC tínhamos uma ilusão de que nosso site se transformaria num dos maiores do país.

Conquistamos audiência, mas nem isso foi suficiente. É muito difícil uma empresa de pequeno porte vencer nesse mercado. Quem não tem dinheiro e nomes de peso, acaba ficando em  segundo plano. Para os que estão começando, acho que precisam acreditar e fazer aquilo que tem vontade, independente do que os outros vão pensar ou das dificuldades. Mas sempre com os pés-no-chão e sabendo que os percalços são contínuos nesse meio.

No Chiqueiro: Baptistão

quinta-feira, 20 novembro, 2008

BaptistãoJá que este é um blog de charges, nada melhor para a entrevista de inauguração ninguém menos que Eduardo Baptistão (veja o blog) - um dos melhores, senão o melhor caricaturista do país, ilustrador do Estadão e colaborador de diversos veículos como Veja, Carta Capital, Jornal da  Tarde, entre outros. Dono de um estilo único e marcante, vencedor de inúmeros Salões mundo afora.

Com a sensacional caricatura do Bruno Venâncio ilustrando a seção; Baptistão nos dá a honra de começarmos este espaço com o pé direito. Valeu, Bap!

(O Chiqueiro) Se apresente por favor.
Eduardo Baptistão, 42 anos, casado, pai de dois filhos. Iniciei na carreira em 1985. Sou ilustrador do Estadão desde 1991, do Jornal da Tarde desde 2003 e da Carta Capital desde 1995. Sou também colaborador da Veja, Você S/A, Placar e outras.
 
 
Como tudo começou, desde a idéia de ser desenhista até virar ícone da área hoje em dia? Conte um pouco da sua saga.
Comecei a desenhar como toda criança, ao aprender a segurar o lápis. A diferença é que nunca parei, até hoje. Mais do que de brincar na rua, gostava de ficar em casa desenhando super-heróis, histórias em quadrinhos e artistas da televisão. Na juventude, desenhava os amigos. Daí que, ao ter de escolher uma profissão, achei que teria de aproveitar o talento de alguma forma. Fiz faculdade de Publicidade e Propaganda, mas achava que meu prazer seria desenhar para jornais e revistas. Depois de alguns frilas e de uma breve incursão pela publicidade, a chance de trabalhar no Estadão surgiu por acaso, e eu consegui agarrá-la. Tive a chance de ouro de entrar num grande jornal ainda em estado bruto, e ir melhorando lá dentro. 
 
 
E o Baptistão palmeirense, quando surgiu?
Agradeço muito por meu pai ter sido palmeirense, pois herdei dele essa paixão. No início, era palmeirense só para imitá-lo. A partir da Copa de 78, porém, tornei-me fanático por futebol, e meu pai me levou para ver a primeira partida do Palmeiras após a Copa (Palmeiras 3×0 América do Rio). Foi aí que o verde entrou definitivamente no meu sangue.
 
Você é torcedor de que vai a todos os jogos, ou acompanha na medida do possível?
Vou ao estádio bem menos do que gostaria. Na verdade, quase nunca. Assisto a todos os jogos pela TV, quando estão disponíveis, e os demais escuto pelo rádio. Para mim, é uma situação desesperadora saber que meu time está jogando e não ter um rádio ou TV por perto.
 
Ser um dos maiores caricaturistas e ilustradores do país te coloca onde você sonhou chegar? Ainda falta alguma coisa na sua carreira profissional?
Tenho hoje um reconhecimento profissional que está muito acima do que imaginei quando estava começando, e talvez maior do que o meu merecimento. Acho que existem muitos outros artistas tão bons quanto eu ou melhores, porém sem o mesmo espaço. Mas ter conquistado esse espaço foi um mérito, fruto de muito trabalho. E é um espaço que luto diariamente para manter, porque sei que não é para sempre. O que falta na minha carreira é um livro, uma coletânea das minhas caricaturas, que espero um dia conseguir fazer e publicar.
 
Você acha que os Salões de Humor são de fato uma excelente oportunidade para os cartunistas iniciantes, ou só têm êxito nesses eventos quem já possui certa experiência?
Eu realmente acho que os Salões de Humor impulsionam a carreira de pessoas talentosas. Meu nome foi formado no Estadão, mas em grande parte também pelo Salão de Piracicaba e por outros de que participei, vencendo ou não. Nossa profissão depende muito de que nosso nome circule, seja conhecido, e os salões têm um grande papel propagador.
 
Você recebe inúmeros comentários no seu blog. O que acha de trocar idéias com os admiradores do seu trabalho. Já se acostumou aos elogios?
Claro, todo muito gosta de elogio, mas os encaro com naturalidade. É normal que as pessoas comentem por terem gostado. Quem não gosta, na maioria das vezes, olha e vai embora, e eu não fico sabendo. Mas fico feliz que meu trabalho agrade tanta gente – um retorno que eu também jamais imaginei, e que a internet propiciou. Só lamento ter cada vez menos tempo para responder a comentários e e-mails, o que pode causar uma falsa impressão de indiferença.
 
Qual foi sua maior referência como desenhista? E hoje, em sua opinião, cite alguns caricaturistas que você considera como referência para os que começam.
Foram algumas, mas cito os irmãos Paulo e Chico Caruso como as principais. Entre os colegas brasileiros contemporâneos, cito Dalcio, Fernandes, Carlinhos Müller, Loredano, Quinho, Cárcamo, mas há muitos outros que admiro e poderiam ser citados.

Você acha que hoje o mercado de caricaturas está saturado? Ou ainda há fatias nesse bolo?…rs
Os espaços na grande mídia são poucos, não são muito abertos, mas acho que, com talento, dedicação e persistência, é possível alcançá-los. E há todo um mercado alternativo, paralelo à grande mídia, que pode ser explorado. É necessário criatividade, senso de oportunidade e, claro, competência para encontrar bons caminhos e se manter neles.
 
Qual jogo do Palmeiras que você considera inesquecível?
O primeiro que me vem à cabeça é a final do Paulista de 1993. Dia 12 de junho, vitória de 4×0 contra o Corinthians, fim de um longo jejum de títulos. Como só acompanho futebol desde 1978, essa foi a primeira vez que vi meu time ser campeão. 
 
Algum jogador que nunca vestiu a camisa do Palmeiras e que você gostaria de ter visto ou ver no Palmeiras?
Muitos, muitos. Mas vou citar um que já vestiu, e que gostaria de ver vestindo de novo, pela terceira vez: o meia Alex.

É difícil como palmeirense desenhar jogadores de outros times? Principalmente quando o Palmeiras enfrenta uma crise?
Não tenho essa dificuldade, porque coloco o gosto pelo futebol à frente da paixão clubística. Não encaro Corinthians e São Paulo, por exemplo, como inimigos, mas apenas como adversários. Afinal, o que seria de um sem os outros? Haveria graça?
 
Qual jogador do palmeiras que você desenhou que mais te marcou e por quê?
Não me lembro de um desenho em especial, mas há um jogador marcante para mim, que é o Jorge Mendonça. Ele foi o primeiro ídolo que tive no futebol. Quando ele morreu, há pouco tempo, coloquei no blog uma caricatura dele, que ainda estava no esboço, e que até hoje não foi finalizada. Foi uma pequena homenagem e uma forma de agradecimento. 
 
Qual jogador você presentearia com uma caricatura, e por quê?
O prório Jorge Mendonça, mas não deu tempo. Hoje, seria o Marcos, porque ele é dos últimos exemplares de jogador que ama a camisa que veste.
 
Agora deixe um recado para os fãs, e uma dica para os que começam, como é o nosso caso.
Aos fãs, meu sincero agradecimento pelo incentivo. É muito bom saber que alguém se espelha no meu trabalho, como eu me espelhei em tantos outros quando comecei. E aos que estão começando, recomendo muita paciência, persistência, fé em si mesmo e, mais do que tudo, muito trabalho, que é a única maneira de se aprimorar como profissional e como pessoa também.