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No Chiqueiro: Baptistão

quinta-feira, 20 novembro, 2008

BaptistãoJá que este é um blog de charges, nada melhor para a entrevista de inauguração ninguém menos que Eduardo Baptistão (veja o blog) - um dos melhores, senão o melhor caricaturista do país, ilustrador do Estadão e colaborador de diversos veículos como Veja, Carta Capital, Jornal da  Tarde, entre outros. Dono de um estilo único e marcante, vencedor de inúmeros Salões mundo afora.

Com a sensacional caricatura do Bruno Venâncio ilustrando a seção; Baptistão nos dá a honra de começarmos este espaço com o pé direito. Valeu, Bap!

(O Chiqueiro) Se apresente por favor.
Eduardo Baptistão, 42 anos, casado, pai de dois filhos. Iniciei na carreira em 1985. Sou ilustrador do Estadão desde 1991, do Jornal da Tarde desde 2003 e da Carta Capital desde 1995. Sou também colaborador da Veja, Você S/A, Placar e outras.
 
 
Como tudo começou, desde a idéia de ser desenhista até virar ícone da área hoje em dia? Conte um pouco da sua saga.
Comecei a desenhar como toda criança, ao aprender a segurar o lápis. A diferença é que nunca parei, até hoje. Mais do que de brincar na rua, gostava de ficar em casa desenhando super-heróis, histórias em quadrinhos e artistas da televisão. Na juventude, desenhava os amigos. Daí que, ao ter de escolher uma profissão, achei que teria de aproveitar o talento de alguma forma. Fiz faculdade de Publicidade e Propaganda, mas achava que meu prazer seria desenhar para jornais e revistas. Depois de alguns frilas e de uma breve incursão pela publicidade, a chance de trabalhar no Estadão surgiu por acaso, e eu consegui agarrá-la. Tive a chance de ouro de entrar num grande jornal ainda em estado bruto, e ir melhorando lá dentro. 
 
 
E o Baptistão palmeirense, quando surgiu?
Agradeço muito por meu pai ter sido palmeirense, pois herdei dele essa paixão. No início, era palmeirense só para imitá-lo. A partir da Copa de 78, porém, tornei-me fanático por futebol, e meu pai me levou para ver a primeira partida do Palmeiras após a Copa (Palmeiras 3×0 América do Rio). Foi aí que o verde entrou definitivamente no meu sangue.
 
Você é torcedor de que vai a todos os jogos, ou acompanha na medida do possível?
Vou ao estádio bem menos do que gostaria. Na verdade, quase nunca. Assisto a todos os jogos pela TV, quando estão disponíveis, e os demais escuto pelo rádio. Para mim, é uma situação desesperadora saber que meu time está jogando e não ter um rádio ou TV por perto.
 
Ser um dos maiores caricaturistas e ilustradores do país te coloca onde você sonhou chegar? Ainda falta alguma coisa na sua carreira profissional?
Tenho hoje um reconhecimento profissional que está muito acima do que imaginei quando estava começando, e talvez maior do que o meu merecimento. Acho que existem muitos outros artistas tão bons quanto eu ou melhores, porém sem o mesmo espaço. Mas ter conquistado esse espaço foi um mérito, fruto de muito trabalho. E é um espaço que luto diariamente para manter, porque sei que não é para sempre. O que falta na minha carreira é um livro, uma coletânea das minhas caricaturas, que espero um dia conseguir fazer e publicar.
 
Você acha que os Salões de Humor são de fato uma excelente oportunidade para os cartunistas iniciantes, ou só têm êxito nesses eventos quem já possui certa experiência?
Eu realmente acho que os Salões de Humor impulsionam a carreira de pessoas talentosas. Meu nome foi formado no Estadão, mas em grande parte também pelo Salão de Piracicaba e por outros de que participei, vencendo ou não. Nossa profissão depende muito de que nosso nome circule, seja conhecido, e os salões têm um grande papel propagador.
 
Você recebe inúmeros comentários no seu blog. O que acha de trocar idéias com os admiradores do seu trabalho. Já se acostumou aos elogios?
Claro, todo muito gosta de elogio, mas os encaro com naturalidade. É normal que as pessoas comentem por terem gostado. Quem não gosta, na maioria das vezes, olha e vai embora, e eu não fico sabendo. Mas fico feliz que meu trabalho agrade tanta gente – um retorno que eu também jamais imaginei, e que a internet propiciou. Só lamento ter cada vez menos tempo para responder a comentários e e-mails, o que pode causar uma falsa impressão de indiferença.
 
Qual foi sua maior referência como desenhista? E hoje, em sua opinião, cite alguns caricaturistas que você considera como referência para os que começam.
Foram algumas, mas cito os irmãos Paulo e Chico Caruso como as principais. Entre os colegas brasileiros contemporâneos, cito Dalcio, Fernandes, Carlinhos Müller, Loredano, Quinho, Cárcamo, mas há muitos outros que admiro e poderiam ser citados.

Você acha que hoje o mercado de caricaturas está saturado? Ou ainda há fatias nesse bolo?…rs
Os espaços na grande mídia são poucos, não são muito abertos, mas acho que, com talento, dedicação e persistência, é possível alcançá-los. E há todo um mercado alternativo, paralelo à grande mídia, que pode ser explorado. É necessário criatividade, senso de oportunidade e, claro, competência para encontrar bons caminhos e se manter neles.
 
Qual jogo do Palmeiras que você considera inesquecível?
O primeiro que me vem à cabeça é a final do Paulista de 1993. Dia 12 de junho, vitória de 4×0 contra o Corinthians, fim de um longo jejum de títulos. Como só acompanho futebol desde 1978, essa foi a primeira vez que vi meu time ser campeão. 
 
Algum jogador que nunca vestiu a camisa do Palmeiras e que você gostaria de ter visto ou ver no Palmeiras?
Muitos, muitos. Mas vou citar um que já vestiu, e que gostaria de ver vestindo de novo, pela terceira vez: o meia Alex.

É difícil como palmeirense desenhar jogadores de outros times? Principalmente quando o Palmeiras enfrenta uma crise?
Não tenho essa dificuldade, porque coloco o gosto pelo futebol à frente da paixão clubística. Não encaro Corinthians e São Paulo, por exemplo, como inimigos, mas apenas como adversários. Afinal, o que seria de um sem os outros? Haveria graça?
 
Qual jogador do palmeiras que você desenhou que mais te marcou e por quê?
Não me lembro de um desenho em especial, mas há um jogador marcante para mim, que é o Jorge Mendonça. Ele foi o primeiro ídolo que tive no futebol. Quando ele morreu, há pouco tempo, coloquei no blog uma caricatura dele, que ainda estava no esboço, e que até hoje não foi finalizada. Foi uma pequena homenagem e uma forma de agradecimento. 
 
Qual jogador você presentearia com uma caricatura, e por quê?
O prório Jorge Mendonça, mas não deu tempo. Hoje, seria o Marcos, porque ele é dos últimos exemplares de jogador que ama a camisa que veste.
 
Agora deixe um recado para os fãs, e uma dica para os que começam, como é o nosso caso.
Aos fãs, meu sincero agradecimento pelo incentivo. É muito bom saber que alguém se espelha no meu trabalho, como eu me espelhei em tantos outros quando comecei. E aos que estão começando, recomendo muita paciência, persistência, fé em si mesmo e, mais do que tudo, muito trabalho, que é a única maneira de se aprimorar como profissional e como pessoa também.